sábado, 26 de outubro de 2013

Morre Paulinho Tapajós, autor de "ANDANÇA" e "SAPATO VELHO"

Morre no Rio o compositor Paulinho Tapajós, de 'Andança' e 'Sapato Velho'
AURÉLIO ARAÚJO

O compositor Paulinho Tapajós morreu na manhã desta sexta-feira (25) no Rio, aos 68 anos, vítima de um câncer contra o qual lutava há seis anos. Ele é o autor de clássicos da música popular brasileira, como "Andança" e "Sapato Velho".
A notícia foi confirmada à Folha pela União Brasileira dos Compositores (UBC), que contava com Paulinho entre seus afiliados.
O velório será realizado no Cemitério de São João Batista, em Botafogo (zona sul do Rio), às 9h do sábado (26). O enterro está marcado para as 14h no mesmo local, no mausoléu de sua família.

O compositor Paulinho Tapajós, em imagem de 1979
O compositor Paulinho Tapajós, em imagem de 1979
"Paulinho Tapajós nos presenteou com canções memoráveis. Sua morte é uma grande perda para nossa música. Nossos mais sinceros sentimentos à família e aos amigos", disse a ministra da Cultura, Marta Suplicy, em nota.

CARREIRA
Paulo Tapajós Gomes Filho nasceu em 17 de agosto de 1945, no Rio, filho do cantor e radialista Paulo Tapajós, irmão do compositor Maurício Tapajós e da também cantora Dorinha Tapajós.
Desde cedo, teve contato com a música. Ainda criança, frequentava a rádio Nacional, onde seu pai atuava como diretor artístico, e conheceu grandes nomes da era do rádio como Emilinha Borba, Marlene e Radamés Gnatalli.
Na adolescência, estudou violão com Léo Soares e Arthur Verocai, que veio a ser seu primeiro parceiro.
Formou-se em arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1971, mas nunca se desligou da música. Em 1968, participou do projeto "Música Nossa", que promovia encontros entre cantores e compositores, e teve sua primeira composição registrada --"Madrugada", feita com Verocai, e gravada por Magda no LP "Música Nossa".
No 3º Festival Internacional da Canção, obteve a terceira colocação com "Andança", composta com Edmundo Souto e Danilo Caymmi. A música seria imortalizada na voz de Beth Carvalho e foi regravada mais de 300 vezes.


Na década de 1970, teve diversas canções nas trilhas sonoras de novelas da Globo, da Tupi e da Band. "Irmãos Coragem", por exemplo, feita em parceria com Nonato Buzar, tocava na abertura da novela homônima.
Em 1972, iniciou sua carreira de intérprete, lançando o compacto duplo "Paulinho e Dorinha", no qual cantou com a irmã músicas como "É Natural", "O Profeta", "O Triste" e "Vivências".
Dois anos depois, lançou o primeiro disco, que carregava seu nome, em que se destacaram as faixas "Se Pelo Menos Você Fosse Minha", "Clara" e "Andança". Em 1979, gravou novo álbum, "A História se Repete", no qual constavam "Sapato Velho" (mais tarde famosa na versão do Roupa Nova), "Pera, Uva ou Maçã" e "Cantiga por Luciana", além da faixa-título.


Lançou outros nove discos ao longo da carreira, o último deles em 2008, "Preparando a Canção". Compôs, em mais de 40 anos de estrada, ao lado de nomes como Sivuca e Roberto Menescal, entre outros.

Teve composições incluídas também nas trilhas sonoras de diversos filmes nacionais, entre os quais "O Donzelo" (1974), "Se Segura, Malandro!" (1978), "Os Vagabundos Trapalhões" (1982) e "Xuxa e os Duendes 2" (2002).