sábado, 3 de agosto de 2013

Sistema de Notação Musical e Partitura

Partitura

É provável que em algum lugar do nosso planeta haja vários sistemas de representação sonora aplicada a composições e reproduções. No entanto, a conveniência ocidental estabeleceu o método da partitura como o modelo padrão e definitivo. E não por acaso: sua fórmula permite o registro gráfico perfeito de modo que se possa transcrever uma criação tal qual a intenção do autor e, como função primordial, permitir que qualquer intérprete instruído no método consiga executá-la apenas pela leitura visual, sem jamais tê-la escutado.

“Patremunite azacsi munedovar”

Você já ouviu esta frase acima?
Claro que não, pois acabei de criá-la. Contudo, eu creio que é capaz de lê-la, pronunciando seu som exatamente como eu a imaginei. Isso se dá porque você conhece as regras fonéticas. Por exemplo, P + A = “PA”. De forma idêntica, podemos compor uma melodia altamente original e desenhar num pentagrama que qualquer músico poderá tocá-la fielmente.
Ainda que não seja por função, a partitura é uma via de comunicação mediante uma linguagem, cuja mensagem é um conteúdo é o registro sonoro. Como o sistema de codificação é padronizado e peculiar, quem o domina pode participar – escrevendo ou lendo – a pauta, sem precisar de instruções complementares (nem mesmo saber inglês, por exemplo).

Notação (altura)
Os sons audíveis e usuais para instrumentos musicais e canto foram classificados em tons, ou notas.
Uma nota (ou tom) é uma determinada altura de um som, ou seja, um intervalo de som de uma mesma frequência Por exemplo: ao prendermos uma corda de nylon nas duas extremidades, como numa harpa, fazemos dela uma via de emissão de notas. Ao apertar ou afrouxar essa corda determinamos o grau do tom, que pode variar para mais grave (corda mais frouxa) ou mais aguda (mais retesada).
O tom é medido pela freqüência de ondas sonoras. Para efeito de comparação, a nota (no violão, corda 5, casa 3) pulsa 131cps (ciclos por segundo); já a nota  (corda 3, casa 2) mede 220cps.
A notação completa usada pelos músicos trás uma carga de oitenta e oito notas, exatamente a quantidade de teclas de um piano, que é o único instrumento acústico a alcançar toda a escala.
As notas são divididas em naturais (ou tons) (Dó, Ré, MI, Fá, Sol, Lá, Si) e dissonantes (ou semitons), que recebe as denominações sustenido (#) e bemol (b), de acordo com a posição entre notas naturais.

Pentagrama
Para a identificação dos tons as notas são inscritas no pentagrama: um sistema de cinco linhas horizontais paralelas, mais outros traços superiores ou inferiores que indicam linhas complementares. As notas podem ser inscritas sobre uma linha ou em um espaço entre elas – valendo para as cinco linhas regulares (fixas) e as complementares. A orientação é vertical: notas graves para baixo e notas agudas para cima.


Como a variação é grande (88 tons), a escala é dividida por claves. As mais praticadas são: clave de Fá, para notas graves; clave de Sol, para notas graves. Há ainda claves especiais como a que marca instrumentos de percussão.


Ordem das Notas
O sentido natural de uma melodia é horizontal com uma nota subseguindo outra, observadas na pauta da esquerda para a direita. A ocorrência de harmonia, duas (dueto) ou mais notas executadas ao mesmo tempo é feita pela verticalização. Outra forma de harmonia é a execução simultânea de duas ou mais partituras, cada qual tocada por uma voz ou instrumento – como numa sinfonia.



Propriedades Sonoras
Além da classificação da altura (variação de tom grave-agudo), as notas e suas aplicações têm outras seguintes propriedades:

• Timbre = determina a identidade do som, qualidade pela qual distinguimos o instrumento ou voz.

• Intensidade = volume, força do som. Comumente confundida por altura (tom, variação de som grave-agudo). No estilo erudito essa propriedade era muito explorada. Os diferentes níveis proporcionavam um efeito dramático, em alguns casos, com variação abrupta para causar impacto. Os níveis são classificados expressões:
  • Pianíssimo (pp) = baixíssima intensidade.
  • Piano (p) = baixa intensidade
  • Mezzo piano (mp) = média intensidade
  • Mezzo forte (mf) = intensidade moderadamente forte
  • Forte (f) = Forte intensidade
  • Fortíssimo (ff) = intensidade muito forte

As variações são indicadas pelas expressões crescendo e diminuindo representadas pelos respectivos sinais > e < sobre ou abaixo do trecho de notas que obedecerão às alterações de volume.

• Duração = extensão do som, tempo que a nota soa. O valor do tempo das notas é representado pelo signo usado. De acordo com essa propriedade, as notas podem ser:
  • Semibreve = é chamada também de “nota inteira” (N), pela qual medimos as demais. Num andamento normal sua duração é de 4 segundos. Segundo a hierarquia, as notas subsequentes valem sempre metade da anterior.
  • Mínima = é a “meia-nota” (N/2), por valer metade de uma semibreve. Desta forma, pelo tempo que a nota inteira é tocada executamos duas deste valor.
  • Semínima (N/4) = um quarto da nota inteira e metade da anterior. Duração padrão de 1 segundo.
  • Colcheia (N/8) = metade da anterior.
  • Semicolcheia (N/16) = metade da anterior.
  • Fusa (N/32) = metade da anterior.
  • Semifusa (N/64) = metade da anterior.


Nos primórdios da notação, havia outras três notas, sendo duas de duração maiores que as de hoje (Longa e Breve) e uma de tempo relâmpago (Quartifusa). Elas caíram no desuso exatamente pelo exagero dos valores.

• Aceleração = a duração de um segundo para uma nota semínima e a correspondência dela com as outras é baseada na pulsação do metrônomo, cujo padrão é 120 bpm (batidas por minuto, duas por segundo). Um outro valor pode ser determinado na cabeça da pauta para instituir uma velocidade mais lenta ou mais acelerada para a execução. Há também expressões de andamento que designam aceleração ou diminuição da pulsação do metrônomo. Algumas delas:
  • Grave = O mais lento dos andamentos
  • Largo = Muito lento, mas não tanto quanto o Grave
  • Adágio = Moderadamente lento
  • Andante = Moderado (nem rápido nem lento)
  • Allegretto = Moderadamente rápido
  • Allegro = Andamento veloz
  • Vivace = Um pouco mais acelerado que o Allegro
  • Prestissimo = O andamento mais rápido de todos

• Ritmo = a sincronia dos vários instrumentos de uma orquestra, ou mesmo de uma banda pop acontece por causa da matemática musical regida pela fórmula do compasso que é a divisão do tempo de execução. Se por exemplo, for estabelecido que cada compasso tenha a duração de uma semibreve, a cada 4 segundos (o valor de uma semibreve), um compasso se fecha e outro se inicia. Na partitura, os compassos são fechados com uma barra vertical e dentro deles podem ser inscritas notas equivalentes aos espaços disponíveis. Desta forma, se num compasso cabe uma semibreve, é possível preenchê-lo com duas mínimas; ou então uma mínima mais duas semínimas, ou ainda com oito colcheias, etc. A indicação do tempo do compasso é feita com dois números: a quantidade de notas cabíveis sobre a fração da nota tomada por referência.
Exemplo: o compasso binário (2/4, dois por quatro) indica que o ritmo tem o valor de duas notas (2) equivalentes a uma semínima (4), que vale um quarto da nota (N/4). O tempo 4/4, o popular quaternário, cada compasso comporta quatro notas iguais à semínima. Como se vê, a semínima é a nota mais usada para referência do tempo do compasso. Mas não a única. Outro modelo muito praticado é o 6/8, em que os compassos se dividem a cada tempo igual ao de seis (6) campos de duração de uma colcheia (N/8). Hoje, popularmente se usa o nome “ritmo” para definir gêneros e estilos musicais (valsa, rock, samba, jazz, etc.). Embora tecnicamente a aplicação não seja correta, está consagrada pelo uso.
• Pausas = o silêncio, ou pausa, é um elemento tratado com o maior respeito pela partitura. Tanto que o espaço vazio que houver dentro de uma melodia precisa ser inscrita na pauta, indicando a sua duração semelhante a uma nota qualquer. Se o espaço vazio for equivalente a uma mínima, usa-se uma pausa deste valor para indicar o vácuo. Para tanto, as pausas também recebem símbolos para representar sua duração em relação ao tempo de uma nota.


Métodos de cifragem
Cada instrumento tem suas particularidades e instruções extras. O desenho de cifras, por exemplo, faz uma amostragem de toques e acordes. A cifra para violão faz um gráfico simplificado do braço do violão com suas cordas e casas e a numeração das notas a serem pressionadas e tocadas.
Para o piano, a cifra é desenhada com algumas teclas a serem dedilhadas. Veja alguns exemplos de cifras e seus respectivos instrumentos.