quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A essência da Música

Mas obviamente, a Música já existia antes do surgimento do seu termo e está muito além da Grécia. E aqui encontramos a primeira divisão importante dos conceitos: qual o princípio da Música?
Aqui estão duas doutrinas opostas:
  1. Considerando a possibilidade de haver música em sonoridades espontâneas (como os sons da natureza), ela precede a humanidade e existe mesmo sem a interferência do homem. Então, por esta teoria, o próprio desencadeamento do universo (através da explosão do “Big Bang”), que deve ter sido violentamente barulhento, trouxe consigo a música.
  2. Os opositores da versão anterior defendem que a Música só existe a partir de uma criação intelectual, portanto, não havendo uma melodia mecânica, física, sem que tenha sido moldada pelo homem – embora o som de uma explosão ou qualquer outro som possa ser utilizado em uma composição.

A origem das questões está na ótica dada à essência musical, que tem três vertentes:
  • Teoria naturalista: a música é um conjunto físico de elementos que já existem antes mesmo de serem executados. As composições usam peças limitadas (como as oitenta e oito notas audíveis encontradas no piano e outras fontes como batidas de um tambor) que possibilitam combinações infinitas devido a diversidade dos timbres e valores como duração e intensidade. É como o conjunto de numerais de 0 (zero) a 9 que formam outros números (12, 500, 3487, etc.). A seqüência de notas de uma melodia já existe antes mesmo de ser escrita e tocada. O compositor não nada cria porque não há nada novo, apenas cola as notas como se fossem peças de um quebra-cabeça, cujo quadro que já existe e só precisa ser montado. Portanto, a arte não está nos elementos da Música, mas na criação e interpretação dela. A partitura é a prova cabal de que a música é física, porque pode ser vista ou imaginada na mente sem necessariamente ser executada. Tanto é, que um software apropriado consegue executar num computador uma composição, apenas com inteligência virtual, sem a ação do homem.”
  • Teoria humanista: a Música é arte pura – mesmo quando usado contra a arte – e está completamente atada ao homem, o único ser capaz de compreender a expressão dela (ainda que essa expressão seja diferente da proposta original elaborada pelo compositor e intérprete). A capacidade de organizar os elementos (notas, batidas, etc.) é restrita à habilidade humana e exige um mínimo de raciocínio. Além disso, ela requer o homem nas duas pontas: criação e apreciação. Ela é indubitavelmente criada para a apreciação humana, seja para entreter, seja para provocar. Quanto a partitura desenhada num papel, trata-se de um instrução para que a música, que é abstrata, seja tocada fielmente. A pauta não tem vida, mas a música sim por poder penetrar em outras vidas racionais para provocar emoções. Quando um instrumentista executa uma melodia de uma partitura com seu violão, por exemplo, ele não está operando uma ação mecânica porque, além do que a expressão dele não se limita às instruções da notação, folhas de papel também não conseguem instruir tudo e há muita liberdade para o músico, que ao acionar a execução, inevitavelmente exprime junto com sua ação grande carga emotiva. Sem emoção, sentimento, não é possível praticar Música.”

É o típico pleito que todos têm razão e ninguém está errado, apesar do paradoxo entre os pareceres.

E você, o que diz disso?